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“Construção” questiona busca desenfreada pelo sucesso financeiro


Após um acidente que vitimou seus dois irmãos menores, a família de Conrado se descompôs e ele foi enviado para morar com a família do tio. Considerado como um “ser inferior” pelos tios e primos, Conrado aprendeu a duras penas os segredos e as maldades do mundo dos negócios e, enquanto construía seu império, viu seu coração se despedaçando ao longo dos anos.


Esse é o enredo de “Construção”, livro de estreia do renomado autor lageano Arno Melo Schlichting, publicado em edição física no início dos anos 80. Já nos primeiros capítulos, a obra revela a segurança narrativa do autor e seu estilo envolvente, que prende a atenção do leitor já nas primeiras páginas.


“Construção” é uma história que impressiona pela dinâmica dos acontecimentos e pela profundidade das reflexões que suscita. O surpreendente desfecho deste romance nos leva a questionar até que ponto a busca cega pelo sucesso financeiro vale à pena!


Trecho da obra:


...

O menino já trazia o dinheiro na mão e apenas o estendeu em direção a Lucas, que pegou, contou e exclamou admirado:

— Aqui só tem três mil!

— Foi o que pedi, tio!

— Você está enganado. Quer ver? — e puxou da carteira o papel que Conrado assinou dias antes. O garoto não acreditava no que seus olhos viam. No documento estava uma dívida de cinco mil cruzeiros.

— Você pagou três. Portanto, deve-me dois.

Como assinara o papel em branco sabia que sofrera um golpe. Ainda tinha seis mil no bolso. O tio percebia sua perplexidade e hesitação. Sem mudar a entonação enérgica acrescentou: — Se quiser pode pagar o restante no mês que vem.

Resoluto e indignado separou dois mil e entregou ao tio. Lucas guardou no bolso juntamente com o recibo. Sorria satisfeito.

— "Cachorrada!" — pensou o menino desorientado.

— Agora vá se deitar. Cumpriu o dever de todo homem. O sono é o melhor remédio para os males. Você parece cansado.

Conrado não se mexeu do lugar.

— Vamos! O que está esperando!

— O recibo. O algoz entregou-o e o menino saiu cabisbaixo.

" — Está aprendendo depressa — pensou Lucas. Um dia devolver-lhe-ei. Antes quero transformá-lo em um homem. Custe o que custar". Terminou o pensamento lembrando-se da carta de Cândida.

...

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