Buscar
  • leiabrazil

O dia em que essa cidade quase desapareceu do mapa


Uma noite de pânico e histeria coletiva que marcou a história de uma cidade na década de 60. Assim pode ser considerado o dia 02 de fevereiro de 1965, quando um acidente poderia ter feito desaparecer do mapa a cidade portuária de Itajaí, no litoral norte de Santa Catarina. Essa é a história descrita pelo jornalista Magru Floriano em sua obra: “Itajaí em Chamas”.

O acidente envolveu o navio Petrobrás Norte, que abastecia os tanques das companhias de gás instaladas na cidade, quando irrompeu um incêndio de grandes proporções. As labaredas iluminavam o céu da cidade enquanto que as emissoras de rádio – mais eficiente meio de comunicação em massa à época – ampliavam o alcance do desastre, levando famílias inteiras a abandonarem às pressas suas casas, evacuando a cidade.

Mas o pânico fazia sentido. À época, as margens do Rio Itajaí-Açu eram tomadas de madeireiras que exportavam sua produção. A preocupação das autoridades e dos bombeiros era com o vazamento do óleo em chamas do petroleiro, o que levaria o fogo direto a essas madeireiras e aí, sim, a situação fugiria do controle.

O pior não aconteceu graças a um único homem: Odílio Garcia, marinheiro tripulante do Petrobras Norte. Enquanto a população fugia, ele atirou-se no meio das chamas para fechar a válvula que liberava o gás que alimentava o fogo. Após cumprir sua missão, o marinheiro atirou-se ao rio e foi resgatado por socorristas, mas não resistiu às queimaduras e morreu no hospital.

As pesquisas do autor Magru Floriano revelam outro aspecto pouco conhecido da história: além de Odílio Garcia, outras cinco pessoas perderam a vida em virtude do incêndio. Em “Itajaí em Chamas”, Magru conta detalhes dessa história, inclusive com depoimentos de moradores da cidade que viveram aquela noite de horror.


Leia um trecho da obra:


...”Assim ficamos sabendo que se tratava de um incêndio, de grandes proporções, em um navio carregado de gás. Os locutores alertavam a população para a possibilidade de o navio de gás explodir, levando pelos ares os terminais de derivados de petróleo localizados na região de Cordeiros, colocando toda a cidade em enorme perigo.

O comentário na vizinhança era de que toda a cidade seria arrasada e o petróleo incandescente escorreria pelas ruas da cidade. Diante da hipótese de ocorrer uma verdadeira catástrofe, muitas pessoas abandonaram as regiões Norte e Centro da cidade, procurando a estrada de Brusque ou a região da Fazenda, bem como os municípios vizinhos de Balneário Camboriú e Vila de Camboriú.”...

O meu pai fez contato com meus tios, e eles decidiram que nós devíamos fugir para Balneário Camboriú, para a casa de um amigo da família. Só que não tínhamos como fugir. Fomos a pé, correndo ou em passos apressados, da Vila Operária até a rodoviária, que ficava no centro da cidade (no atual Centro de Abastecimento Prefeito Paulo Bauer). Levávamos apenas algumas sacolas de roupa e alguns valores que tínhamos em casa.”...

85 visualizações

(47) 99902 5392

©2019 by leiabrasil. Proudly created with Wix.com