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Saiba como este homem transformou-se de mendigo em milionário

Atualizado: 5 de Abr de 2019


Há exatamente 15 anos, no dia 04 de abril de 2004, Paulo Roberto de Souza tomou uma decisão que mudaria para sempre a sua vida: ficar, só por um dia, sem colocar um único gole de álcool na boca. E manteve essa determinação no dia seguinte, e no outro, e no outro, até que finalmente conseguiu se tornar dono do seu próprio destino.


Paulo Roberto demorou muito para reconhecer que é um doente crônico: sofre de alcoolismo, mesma doença que vitimou seu pai. A inclinação genética que o levou a tornar-se alcoólatra chegou ao extremo, levando-o a perder toda a fortuna que conquistou durante sua vida e transformando-o em mendigo nas ruas da badalada Balneário Camboriú, litoral de Santa Catarina.


A trajetória de Paulo Roberto é tema do livro “De Mendigo a Milionário”, lançado hoje na plataforma Leiabrazil após três edições da obra física, já esgotada. No livro ele conta como e porquê ele começou a beber, aos nove anos de idade, e como conviveu com o álcool ao longo da vida.


Apesar da doença, sua determinação o levou a muitas conquistas. Tornou-se cozinheiro da frota de Petroleiros da Petrobras e viajou pelo mundo, conhecendo diversos países. Viu seus sonhos se concretizarem, adquiriu bens móveis e imóveis, chegando a viver uma vida de luxos... e excessos.


Chegou um ponto, porém, que a compulsão pelo álcool cobrou seu preço. Sem trabalho e sem condições de manter –se, perdeu todo o seu patrimônio e buscou fugir da realidade, mudando-se de cidade. Mas seu maior problema era o seu vício que passou a dominá-lo. Ao chegar em Balneário Camboriú, já não possuía nada mais, nem amor próprio, e tornou-se mendigo, dependendo da bondade alheia para viver.... e beber.


A vida começou a mudar quando Paulo Roberto conheceu o trabalho do AA – Alcoólicos Anônimos e descobriu que possuía uma doença crônica, que não tem cura, mas que pode ser controlada. Firme na decisão de não beber pelas próximas 24 horas, o autor redescobriu sua maior riqueza: a capacidade de governar sua própria vida e, portanto, tornou-se um milionário.


Ao relatar sua trajetória no livro “De Mendigo a Milionário”, Paulo Roberto buscou inspirar outras pessoas que possam sofrer da mesma doença e que ainda não sabem disso. “Hoje sinto-me realizado pelo reconhecimento deste trabalho, pelos muitos amigos que conquistei depois de controlar minha doença. Me sinto um milionário, porque sou dono da minha liberdade, não um escravo da bebida”, comenta.


A vida encarregou-se de premiar Paulo Roberto pela coragem de enfrentar seu maior problema. Deixou as ruas como mendigo e tornou-se servidor público municipal em Balneário Camboriú. Já foi Secretário de Desenvolvimento Social do Município e hoje atua no departamento de resgate social, setor de dedica-se a prestar atendimento à pessoas em situação de rua ou seja, mendigos, como ele um dia já foi.


Além do livro “De Mendigo a Milionário”, Paulo Roberto também já escreveu outro livro: o “Diário de Bordo da Kombi”, onde relata situações reais vividas a bordo do veículo oficial que resgatava os mendigos em Balneário Camboriú. Em seus projetos futuros estão a edição de mais duas obras: “De Mendigo a Secretário de Assistência Social”, que relata sua trajetória pessoal após deixar as ruas, e “A Moralista”, um romance sobre uma psicóloga que sofre com crises existenciais e, mesmo sem ter moral nenhuma, cobra moral das outras pessoas.


Enquanto essas novas obras não vêm, vale a pena conferir o relato divertido e, ao mesmo tempo dramático, que encantam todos os leitores que tiverem contato com “De Mendigo a Milionário”.


Trecho da obra:

“...De tanto ser explorado pela minha avó, resolvi parar de vender frutas e verduras e fui para o centro de Paranaguá lavar carros. Era mais divertido, mas muitas vezes fui flagrado chorando por um senhor que me deixava guardar o balde, meus paninhos e a cera de polir em seu estacionamento. Voltava para casa com dinheiro, mas geralmente amargurado, porque muitas vezes não tinha comida pra mim, que ajudava a comprar tudo dentro de casa. Eu ia pro colégio, à noite, com fome. Na hora do recreio, me fartava com a merenda que o colégio dava.

Um belo dia, estava em frente a um hotel quando uma senhora estacionou uma reluzente Brasília branca, e eu lhe perguntei:

- Senhora! Quer lavar seu carro?

Ela fitou bem nos meus olhos famintos e me perguntou quanto custava para lavar o carro. Eu disse:

- Dois mil cruzeiros. E ela perguntou:

- O que você vai fazer com esse dinheiro?

Expliquei que iria almoçar no restaurante do hotel e voltar a trabalhar à tarde, pois precisava ajudar em casa, e muito. Foi quando ela disse:

- Pode subir e almoçar de graça. Eu sou a dona do hotel.

- Durante o almoço, contei a ela um pouco da minha história. Abri meu coração. Falei das tragédias, do alcoolismo, das mortes, suicídios, do pai, do avô. Falei como gente grande. Era a primeira vez na vida que eu desabafava com um estranho de verdade, ali, na mesa do restaurante do hotel, nós dois, a sós. Ela se emocionou com a minha história de vida e me liberou o almoço todos os dias. As coisas começavam a melhorar, Deus tinha posto aquela freguesa em meu caminho e eu tinha feito uma boa opção ao trocar a vida de vendedor de frutas e verduras no bairro, partindo para o centro da cidade em busca de novos horizontes. Depois do almoço, lavei a Brasília desta senhora. “...

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